sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cassandra Wilson

Fiz uma caixa para guardar alguns CDs da Cassandra Wilson e bolei esta capa alternativa, exclusiva. Cassandra Wilson é uma artista de múltiplos talentos: é cantora, compositora e instrumentista. Algumas gravações imperdíveis: Days Aweigh, de 1987, Blue Light ´Til Dawn, de 1994, Glamoured, de 2003, Closer To You: The Pop Side, de 2009 e Silver Pony, de 2010.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

George Orwell na Gazeta do Sul

Na edição de 29 de outubro, Rudinei Kopp comenta o lançamento do livro Como morrem os pobres e outros ensaios, de George Orwell, além de traçar um perfil deste arguto escritor.
A caricatura ilustra o texto, que pode ser lido aqui.

sábado, 15 de outubro de 2011

Fernando Pessoa na Gazeta do Sul

O lançamento do livro Fernando Pessoa, uma quase autobiografia, de José Paulo Cavalcanti Filho, foi comentado por Romar Beling na Gazeta do Sul de 15 de outubro.
O artigo pode ser lido aqui.
A caricatura ao lado ilustra a matéria. Devo confessar que foi muito difícil me livrar da influência das sempre geniais caricaturas que Hermenegildo Sabat fez de Fernando Pessoa.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Ferreira Gullar

Ferreira Gullar escreveu Argumentação contra a morte da Arte e Um gato chamado Gatinho. O primeiro livro é uma coletânea de lúcidos e polêmicos artigos sobre arte contemporânea, como só um crítico do porte dele tem condições de produzir; o segundo é uma delicada e bonita história infantil, como só um poeta do porte dele tem sensibilidade para contar.
Ele também disse: A arte existe porque a vida não basta.
Esta caricatura é uma pequena homenagem a esse grande artista.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Borges na Gazeta do Sul

Clique aqui e leia o comentário de Romar Beling, publicado no jornal Gazeta do Sul de 1º de outubro, sobre o lançamento do livro Borges, uma vida, de Edwin Williamson. A matéria foi ilustrada com a caricatura Borges, os livros e os tigres que fiz para homenagear o monumental escritor.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Maria Clara


A casa de hoje é todas as que foram.
É aquela da infância e dos pais, é aquela outra em que sentiu o amor daquele homem forte e gentil, é aquela onde perdeu o primeiro filho e teve os que vieram depois, é aquela da outra cidade, das novas esperanças. É aquela em que ficou sozinha.
A casa de hoje é todas as outras e é desconhecida.
Nela convivem os vivos e os mortos.
Estamos sentados na sala e ela sente o fim do dia.
Olha para mim e diz:
- Sinto saudade.
Pego suas mãos e pergunto:
- De quê, mãe?
Ela (não mais olhando para mim):
- De tudo.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Henry Miller

Existem muitas autobiografias, porém nenhuma se compara à obra de Henry Miller, toda ela autobiográfica e de qualidade hoje inquestionável.
Autor-ator, verdadeiro, irriquieto, insubmisso, teve a coragem e o talento para transformar sua vida - onde o sexo era o centro - em arte.
Escreveu sem meias palavras, desnudou-se sem hipocrisia.
Grande fauno literário!

sábado, 27 de agosto de 2011

Borges, os livros e os tigres

Há muito tempo eu vi, num jornal, a reprodução do desenho de um tigre que Jorge Luis Borges fizera aos quatro anos. Desde então eu pensava em fazer uma caricatura na qual ele, perto do fim da vida, voltasse a repetir aquela figura, como um retorno à infância. Tentei algumas vezes, mas os resultados não me satisfizeram.
Recentemente, lendo o excelente artigo A poesia como exercício para a imaginação de Maria Esther Maciel (Revista Entrelivros/Entreclássicos - Jorge Luis Borges. São Paulo: Duetto Editorial, 2009, v.10, p.49) topei com o seguinte esclarecimento: Na conferência "A cegueira", proferida em 1977, em Buenos Aires, e posteriormente incluída no livro "Sete Noites", Jorge Luis Borges conta que, quando criança, gostava de se colocar diante da jaula de um tigre no zoológico de Palermo para contemplar o dourado e o negro do pelo do animal. Revela que, desde então, passou a ter um explícito fascínio pela cor amarela, a qual nunca o abandonaria, mesmo na cegueira. Como ele explica, o amarelo foi - ao lado do verde e do azul - uma das raras cores que continuou a ver depois de ter perdido quase toda a visão. Essa associação entre o amarelo, a cegueira e a imagem do tigre já havia sido explorada pelo escritor argentino alguns anos antes no poema "O ouro dos tigres", que encerra o livro de mesmo título, publicado em 1972. Nele, assumindo um "eu" reflexivo e memorioso, Borges mostra como o "poderoso tigre de Bengala" de sua infância, desdobrado em outros tigres "do mito e da épica", acabou por se eternizar para ele como uma cor. Nas palavra do poeta: "Com os anos foram me deixando / As outras belas cores / E agora só me restam / A vaga luz, a inextricável sombra / E o ouro do princípio".
Por uma maravilhosa coincidência o desenho infantil de Borges ilustrava o ensaio. Era o estímulo que faltava. Assumi o risco e o resultado aí está: dentro da biblioteca (infinita?) um tigre (eterno?) observa o velho escritor, quase completamente cego, repetindo o desenho da infância; uma luz amarelada ilumina a cena.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011